sábado, 20 de novembro de 2010

Décimo Primeiro Andar - Le Grand Finale

...
Não acreditou.
Para onde olhava naquele hall, havia aquele sangue que ela não conseguia entender de onde tinha vindo... E tinha uns três homens vestidos de preto e com uma cara estranha, melando as portas dos apartamentos do oitavo andar de sangue novamente! Que horror!

Todos pararam a atividade e olharam para ela.
Logo, reconheceu Everaldo, o porteiro; e saiu de encontro a ele, correndo e aos berros:
"O QUE ACONTECEU COM VOCÊ? EU VOU FICAR UM MÊS SEM PAGAR PORQUE TE SEQUESTRARAM E AGORA VOCÊ QUE VIRA O SEQUESTRADOR É? VOCÊ COM ESSA ROUPA PRETA AÍ NÃO ME ENGANA NÃO, SEU EVERALDO! EU SÓ QUERO LHE DIZER QUE TEM UM LOUCO MANÍACO AQUI DENTRO DO CONDOMÍNIO E QUE ELE INVADIU O MEU APARTAMENTO, ALÉM DE TE PEGAR! EU SEI QUE ELE TE PEGOU! SAI DAQUI LOGO, ESSES LOUCOS SANGUINÁRIOS, VOCÊS MEEEEESMO! BANDO DE LOUCOS! VÃO ME MATAR? ATIRA, VAI! ATIRA LOGO! ME MATA DE UMA VEZ!"

Ficaram todos em silêncio contemplando a cena absurda que acabava de acontecer.
E ela continuou a correr, mesmo ouvindo ao longe os gritos de seu Everaldo "Dona Paula, ô Dona Paula!? Volta aqui!"
Correu. Sentiu uma cãimbra estranha nas pernas, parecia cãimbra de nó.
Já estava no décimo andar. Resolveu pegar o elevador dali mesmo. E novamente, todas as portas sujas de sangue e cheias de desenhos que ela não entendeu. Imaginou que fossem as assinaturas dos invasores.
Chamou o elevador sujo de sangue e subiu um andar.
Fez o mesmo percusso agora mancando e ofegante. Chegou até a porta, encaixou as chaves na fechadura, girou cautelosamente para a esquerda duas vezes e...
Ficou atônita.
A casa estava da MESMA forma que ela deixara!
A caneca na pia, o notebook aberto com o livro parado no mesmo lugar que ela deixara, a marca de água que a caneca deixara na mesa devido ao vapor, a bolsa bege pendurada na cadeira, os insensos ainda acesos... O que acontecera realmente? O que fora aquilo tudo?
Deveria descer e falar com o Sr. Everaldo??

Já estava a caminho do elevador, com uma faca de cozinha nas mãos, escondidas sob a camisa.
E o telefone celular também, no bolso, porque qualquer coisa ligaria para a polícia...
Desceu até o oitavo para ver se o seu Everaldo estava lá.
O elevador apitou. Chegara.
Deu uma espiada pelo vidrinho para ver se os homens ainda estavam ali, mas não estavam...
Resolveu dar uma vasculhada no local. Se encontrasse algo ameaçador, ligaria para a polícia.
Mas, para a sua maior vergonha, a primeira coisa que encontrou foi algo como um biombo, um retropojetor... apagou as luzes e olhou para a parede... e o que aparecera?? A imagem de um velho vestido de médico com uma seringa na mão e um olhar demoníaco. Primeiro ela gritou histericamente, mas parou depois de perceber que era uma imagem que piscava. Acendia e apagava na parede. Por isso dava o efeito de vulto.
Ficou atordoada com essa informação, e resolveu acender as luzes porque mesmo assim aquela imagem a incomodava.
Olhou ao redor e resolveu cheirar o sangue das portas. Realmente, tinha cheiro de sangue... de carne de mercado! Que palhaçada era aquela?
Agora resolveu descer.
Quando desceu, o condomínio todo estava reunido no playgraound do prédio e fora dele, era algo parecido com uma festa.
Sacou o celular do bolso, olhou a data: Trinta e um de outubro.
Olhou a decoração: Cabeças de abóbora, morcegos e mais: Seu Everaldo vestido de morcegão.
Gritou ele. Ele veio prontamente cheio de risos.
"Dona Paula, a senhora é o motivo da festa hoje! Todos estão rindo do acontecido no oitavo andar!! É que não deu tempo de explicar que eu estava planejando fazer um halloween dos amigos aqui no nosso condomínio. Vi que as câmeras de vídeo foram mexidas por alguém, e só agora encaixei tudo. Foi a senhora não é? hahaha Sabe o que foi? Eu planejei isso a um mês. Daí hoje a tarde, na hora que a senhora estava no estacionamento, eu pedi ao meu filho que ele fosse providenciar sangue de carne de boi, pra ficar real sabe? Parecer que aconteceu um assassinato mesmo que ocorreu aqui. Ele teve que descarregar a mala do carro, mas deixou os faróis ligados, e voltou um tempinho depois; sei que a senhora deve ter estranhado isso. Mas Dona Paula, quando ele voltou de carro, ele estava trazendo as comidas, bebidas, os materiais e a minha fantasia! Então ele saiu do carro para me avisar, estava choviscando e ele não podia molhar os materiais. Estava com um guarda-chuva enorme, mas teve que fechar rapidamente, e num movimento brusco, acabou quebrando o vidro da guarita e se ferindo, ao tentar me entregar tudo pela janela quebrada... Mas logo depois resolveu entrar e eu permiti a entrada dele. Tanto trabalho da parte dele para nada não é, dona Paula? ahhahaha Daí nós estamos desde cedo sujando o prédio todo! E quando eu fui sujar a sua porta, percebi que estava aberta! Fiquei com medo de algum convidado intrometido entrar e fazer o que não se deve. Por isso, tranquei a porta e depois desci. Resolvi nem sujar a sua porta, já que a senhora estava sem saber da nossa festa... de qualquer modo, me desculpe qualquer coisa e pode ficar sem pagar, mas que foi engraçado o seu susto, foi viu!

Ela fitou-o, cinicamente. "Não teve nada de engraçado aqui! Você me deu cãimbras de nó, falta de ar e palpitações! além de medo de velhos de jaleco agora, e de morcegões! (e fez uma cara de nojo), é por isso que eu odeio isso aqui ODEIO TUDO, me fizeram de palhaça!"

Ele estava rindo histericamente. "Ninguém te fez de palhaça não, dona Paula! A senhora que nunca sai de casa, ninguém sabe o porque! Mas a propósito, a senhora pelo menos veio contemplar a nossa festa, e fantasiada!"

Ela estava em pé, com a faca de cozinha em uma mão, e a roupa toda ensanguentada daquele sangue fedido de carne bovina de mercado. Era uma cena estranha.

"A senhora veio de que mesmo?"

Ela hesitou um instante, e logo falou: "Maníaca do parque... ou sequestradora de porteiros, quem sabe?"

E resolveu tomar um pouco de ponche, era o tipo de festa que na vasilha do ponche tem uma mão branca e gelada saindo do líquido vermelho... Coisas de porteiro.

FIM

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Então, demorei de postar por vários motivos, vários mesmo!
A história tá meio idiota, mas é isso aí. A conturbação dos vestibulares cortou a minha criatividade!
E antes de mais nada eu quero agradecer a quem leu, comentou e me perguntou no colégio todos os dias se eu era idiota, por deixar a história pela metade e não contar o resto. DHUSOHDASO E também, agradecer a Lara do Minha Vida É Um Filme De Almodóvar por me dar um presente que eu fiquei muuuuuuito feliz aqui: Um selo para o meu blog!
Aqui ele:
No próximo post, seguirei as regras da corrente, do negócio dos selos.

Beijos pros jovens!

6 comentários:

Fabi Viana disse...

Naty, muito bom! Vc conseguiu prender minha atenção até o fim! Parabéns, menina!Um mega-beijo!

ariiadne veloso; disse...

aaaaae *-* , terminou , muito bom , você tem o brilho naty , kkkk'
mas é sério , parabéns minha preta , como sempre adoro ler tudo que você posta , beijos s2

'Lara Mello disse...

Riiii, gostei do final..Tem que continuar escrevendo se gosta! E que bom que gostou do selo! Bju

thau_leandro disse...

parabéns, tudo lindo *-* seguindo, segui tbm ;] obg

Gabi Soares disse...

Estou te enviando um selinho tb, nigri!

http://entreoazuleoanil.blogspot.com/2010/11/meu-primeiro-selinho.html

bjs

Érika Oliveira disse...

Gostei da crônica. Conseguiu fazer parecer um coisa completamente diferente do desfecho :D